sábado, 31 de janeiro de 2009

luz e fé

Estrela matutina

branca irmã

tua queda

vespertina

sub-reptícia e febril

teu desafio, tuas escamas

és réptil

mas teus nomes

tantos

quem repetiu?

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

sábado, 27 de dezembro de 2008

Maelström

A ilha se faz ostra:
multíparo arquipélago
de olhares perolados.

Ciúme, fel salobro,
da nervosa maré
ácida negra língua.
Nau, talássica pílula.

Eu, arábica vela
entre éolo e céu,
em turbulência, só,
sei procrastinação.

Louco náufrago exímio,
amo o escuro do pélago
e o átimo da gota.

sábado, 20 de dezembro de 2008

(três haicais cafeinados)


Meu café fumaça,
chove o verão sem saber.
Ele ou eu que passa?




Meu café fumaça,
a velhice vela ao lado -
sou eu, mas sem ser.


Meu café fumaça,
uma ânsia por fim me enlaça:


sou desesperado.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Poeminha ecológico (desconstrução)


Se o amarelo for a cor em questão
que brote novo o rubro da paixão
banindo os tristes girassóis da alma.
Mas que nunca faça reinar-se a calma -
longe do não ser queremos estar!
A maré da vida, os elos do lar
arrancam os sós coqueiros da rotina
e atam os longos nós das nossas sinas
fazendo eterno nosso reencontrar.




O amarelo e
a maré , os elos
da vida, são
só coqueiros, nunca girassóis.
arrancam nosso eterno,
nós das nossas sinas:
que brotem novos os da rotina
banindo a longa calma do lar.
atem-se as almas sem reencontrar,
queremos estar longe.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

sábado, 29 de novembro de 2008

Veranos

Mar e tédio; o que me falta para o verão?
Luz. E a cerveja, tão bem cabida no copo.
Um biquíni, uma ária, o papo e eu topo:
areia na alma, na boca e no calção.
É de se fazer triste a preguiça que dá
na sombra de um guarda-sol, nosso vero amigo:
quanto mais toca o celular, mais me desligo,
mijo, só quando na bexiga muito há.
Lento, passa rápida a formosa estação
e deixando sua marca, o famoso chupão -
que teima em, sempre, o nosso pescoço tingir -
lembra que somente nesses meses de sal,
infância boa onde já se sabe o mal,
é possível viver sem a vida existir.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Travessia cotidiana


Queria mesmo, sabe, minha mãe
que durante o dia eu tivesse medo,
que toda noite começasse cedo
e não me houvesse nunca capitães.

Assim faria eu a minha vida,
já de manhã buscando logo a tarde,
fazendo manha sem fazer alarde,
virando antes a página não lida,

para não saber de mim mesmo em meio
a engrenagens, metálicos receios:
sem sementes, sem vento ou direção.

Mãe, minha mãe de cada dia meu,
que seja eu crente enquanto for ateu
mas nunca esteja só na solidão.

domingo, 23 de novembro de 2008

Arabesco Pessoano








A tristeza é o pão da vida,

dela é o genitor!

E a alegria é a querida

irmã sua que se abortou..

A Brazilian Urban Poem

I go in white on the city’s grey streets,
sniffing for a sweet scent amid the toxicity.
Yet, the stench of the city overcomes my senses,
bringing me ire and nausea,
making me tired of society and humanity;
of the imprisonment of the mind by this cage of flesh;
of the suffering of the living and the happiness of the dead.

I look around me:
concrete giants tower, shadow and amaze.
I see lights and sewers and dirty sidewalks;
the solid rivers cut by steel mammoths;
I see speed speed speed.

Noise,
a roar stretches from earth to heaven,
echoing in celestial magnitude:
an iron dragon that cries desperately,
grasping for height, sky, space.

Sounds, movement, technology and improvements are everywhere.

Suddenly,
a man flies over a car and smashes his body against the ground.

Observers, doctors, bums, a woman that claims to be a wife, cheap lawyers and curious animals,
agglomerate and watch.
Agglomerate in awe.
Agglomerate to witness death.

…

A flower, yesterday, sprouted on a dark corner.
Passers pass aside, dodging any sign of its existence.

…


Further in the jungle: an abandoned lot,
inhabited by animal humans –
human animals –
eating scraps, eating trash.
Cannibals?
A new cult or civilization? A revival of ancient tribes and their customs? Anthropophagi?
No. Just ravenous miserable spitted-on people doing whatever they can to stay alive.

Meanwhile, the anthill proceeds with its daily toil and labor;
Swarm of locusts… parasites.

Disgusted, I flee back home, to my haven.
Looking out the window, I try to see beyond the obstacles:
there are dark clouds populating the sky
and the horizon can no longer be seen.

At ground-level a drunk performs an unusual trick, slips on dog shit, sounds a bacchic yawp, and falls to the floor.

Unconscious.

And I wish I was him.